Extensão: 260 metros
Bairro: Berger
Lei 592/1992

Ainda que o tempo, em
sua finitude – para nós seres humanos – tolha a já tênue recordação dos nossos
antepassados, que foram as pilastras de sustentação na desenvoltura e progresso
do nosso país, e, antes que descaia ou se desmantele toda aquela amálgama de
pessoas, que, superando todos os óbices e imensas dificuldades da época
imigratória, legando-nos este rico e extenso acervo, que estamos construindo, é
justo, e, na verdade, é muito justo e meritório, que se perpetuem esses heróis,
que deixaram sua pátria querida, o chão sagrado, que os viu nascer e seus
genitores, angustiados por verem seus filhos, na flor da idade, partirem rumo a
terras ignotas e distantes.
Privações e expostos à mercê
das intempéries, foram o apanágio de tão arrojada aventura. Largados em meio à
mata, sem outros recursos que não a habilidade de suas mãos e a força de seus
braços, impulsionados pela fé inquebrantável no futuro, num lavor incessante e
vencendo todas as vicissitudes do meio adverso, foi nestes transes que
implantaram o progresso e a civilização, tendo como ponto de partida o estado
do Rio Grande do Sul, seguindo para Santa Catarina, Paraná e outros estados do
Brasil.
Pois, nessa “leva” de homens
e mulheres decididos estava também Amadeo Lizot (a grafia correta é com “o”,
mas a lei grafa com “u”, além disso, documentalmente, seu sobrenome tem apenas
um “t”), oriundo de Feltre, da província de Belluno, na Itália, nascido aos 16
de agosto de 1879, que aqui aportou pelos idos de 1878/79, com tenra idade
ainda, radicando-se com seus genitores na então terra dos bugres, hoje Caxias
do Sul. Com a idade de 14/15 anos seguiu para Encantado, na época distrito de
Lajeado, onde permaneceu até a idade de aproximadamente 20 anos. Com a idade de
20 anos, fixou-se na Barra do Guaporé, próximo de Encantado, onde casou em 1902
com Joana Triches, passando a residir definitivamente na Linha Bonita, zona
colonial, também pertencente a Encantado, onde adquiriu grande quantidade de
terra e cercou-se de numerosa família. Finalmente, em 1945 mudou-se para Santa
Catarina, na Estação Perdizes, hoje município de Videira, onde permaneceu
poucos anos, passando definitivamente para Caçador, onde comprou uma pequena
gleba de terra, na ocasião, nos arredores da cidade, realizando, assim, seu tão
acalentado sonho, que era encerrar o último ciclo de sua vida, deixando seus
restos mortais na tão almejada e cobiçada terra de Caçador.
Diante deste contexto, um
modesto relato do muito de grandioso, que volatilizou na esteira do tempo.
Amadeo Lizot faleceu aos 80
anos, em 27 de agosto de 1958.
(adaptado
de texto de José Antônio Chanan, em 10/11/92)